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FELINOS EM DESTAQUE

Gatos mudaram jeito de miar para se comunicar com pessoas, sugere estudo
GloboNews.com


RIO — Não chega a ser parte de um idioma comum entre humanos e felinos, mas um simples 'miau' pode representar muito mais do que se imagina na relação entre gatos e pessoas - especialmente seus donos. Um estudo realizado pelo psicólogo da Universidade de Cornell Nicholas Nicastro sugere que, apesar de não terem uma linguagem articulada como a nossa, os felinos domesticados sabem usar diferentes sons para conseguir das pessoas o que querem, mesmo sem compreender por que esses sons produzem reações específicas no homem. De certa forma, é como se os animais tivessem descoberto um jeitinho de 'domesticar' as pessoas.

-   Gatos domesticados dependem de nós para conseguir comida. É verdade que eles não precisam entender conscientemente que alguns sons 'ativam botões' nos seres humanos. A situação é similar ao que ocorre com bebês, que usam os sons para se comunicar com os pais até que tenham domínio da linguagem — explicou o pesquisador ao GloboNews.com.


Dono de dois gatos com os quais se entende bem, Nicastro conta que começou a pesquisar as vocalizações dos animais há três anos.
-  Interesso-me bastante por gatos e fiquei surpreso ao saber que suas vocalizações foram pouquíssimo estudadas em comparação com as de outras espécies de animais mais exóticas — contou o pesquisador.
Para realizar o estudo, Nicastro fez cem gravações e as apresentou para 26 pessoas. Ele pediu que os voluntários dessem uma nota, em uma escala de um a sete, para os sons mais agradáveis e atrativos. Em seguida, fez outras 28 pessoas ouvirem as mesmas gravações e pediu que dessem notas para os sons que pareciam mais urgentes e desagradáveis. O último passo foi analisar as avaliações para ver que quais sons pareciam definitivamente agradáveis ou urgentes.


Nicastro observou que sons mais curtos eram apontados como os mais agradáveis. Já os mais longos eram interpretados como urgentes. A descoberta parece simples, mas traz implicações importantes. Os gatos que produzem os sons mais agradáveis tendem a ser mais bem aceitos pelas pessoas.
-   As pessoas acham que é melhor ter gatos que produzam sons agradáveis por perto. Claro que, como há muita variação na maneira como os gatos vocalizam, essas caracterizações devem ser consideradas conceitos aproximados. Mas, de longe, a maior parte dos gatos que soam agradáveis tem  sucesso em um ambiente dominado por pessoas — afirmou Nicastro.
De acordo com o pesquisador, em geral os sons urgentes são usados em situações em que o gato depende do dono - quando pede comida, por exemplo. Para investigar se essa variação de vocalização ocorria apenas entre animais domesticados, Nicastro foi ao Zoológico de Pretória, na África do Sul, para gravar os sons de gatos selvagens. Ele observou que os animais pareciam estar constantemente com raiva.


-  Os gatos selvagens são mais independentes das pessoas que os domesticados, por isso eles apresentam menos necessidade de responder às preferências humanas — explicou Nicastro.
O pesquisador afirma ainda que essa característica de adaptação dos sons às preferências humanas não é exclusiva dos felinos. Ele acredita que os cães domésticos usem diferentes tipos de latidos para interagir com seus donos.
-    A comunicação dos cães também parece ter sido afetada pelas preferências humanas. Estou interessado em pesquisar isso, mas creio que não terei essa oportunidade tão cedo — lamentou o pesquisador, ainda muito ocupado com seus felinos. Juliana Braga, do GloboNews.com


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© 2002 Nina Pombo